Prezado leitor, se você está acompanhando os últimos noticiários, poderá imaginar que estamos vivendo um processo de retrocesso. Liberdade de expressão. Um ideal tão difícil de ser conquistado, problemático e conflituoso, que custou muitas vidas até ser alcançado.
Em pleno século XXI, vivemos resquícios da Ditadura Militar (1964-1985), quando analisamos a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proibir humor com candidatos e com a política em programas de rádio e TV. "Quem tem boca, vai à Roma", utilizando se deste ditado popular e espelhando no movimento das "Diretas Já", é que humoristas censurados criaram a passeata "Humor Sem Censura", como forma de protesto, a fim de pressionar a Justiça por mudanças na legislação eleitoral.
Não consigo imaginar a ausência de sátiras, piadas e críticas à candidatos até Outubro deste ano. Sem piada, não tem eleição! Por que acabar com toda ironia e comicidade? Alguns políticos afirmam que o motivo é a ridicularização dos mesmos. Mas, a oposição afirma que essa é mais uma jogada de marketing de políticos, para que casos e escândalos não sejam discutidos em formas de piadas, e consequentemente sejam esquecidos.
Entretanto, somos obrigados a assistir à candidaturas ridículas, que por si só já são consideradas piadas. "Pior que tá não fica! Vote Tiririca". Cadê o protesto contra esse tipo de candidato? A passeata ganhou voz internacional e uma liminar foi concedida nesta semana, liberando o humor na política. Finalizo a crônica com uma bela frase do humorista Antonio Tabet, do site Kibeloco, "Feliz 1985 para todos nós!"
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